terça-feira, 7 de abril de 2009

Trabalhos Renata Job




Os dois S/Título, de 2007, 200 x 300cm. Tinta óleo e nanquim em voile.

Sem imagens de trabalhos mais recentes...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Link Youtube - Mariana Xavier

Não está em formato de portfólio, mas eu gosto muito do youtube para divulgação e contato com outros artistas.

www.youtube.com/marianaxavier

sábado, 4 de abril de 2009

esse é o link do meu portfólio www.vivianherzog.com

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os primeiros passos de Pretérito Imperfeito

Abaixo, seguem 03 imagens de fases diferentes do meu trabalho que, de alguma forma, ajudaram a construir parte das idéias e do caminho que me fez chegar até aqui.
Brooks&Casati, Negativo cor 35mm, Belém/PA 2008 © Flavya Mutran

Imagem retirada do vídeo ‘Pretérito Imperfeito’ de 2004, que funde as cenas do passeio de Samuel com trechos do vídeo ‘Bitar 8mm’, de Alberto Bitar. Belém, PA ©Flavya Mutran


Menina, Série Quase Memória (Imagens com justaposições de fotos em chromo 35mm), 2002, Belém, PA ©Flavya Mutran


Bem como disse o Diego, não se tratam ainda de trabalhos especificamente do projeto atual, mas servem para ilustrar um pouco da variação de suportes na investigação de transposição de meios (película x digital e vice-versa) e temas que norteiam a minha pesquisa, e assim, poderão ajudar a ilustrar futuramente as nossas discussões em aula. Um pouco mais de outras fases do meu trabalho pode ser vista de forma absolutamente bagunçada no que se refere a cronologia, mas reunem um pouco de referências de publicações sobre o meu trabalho, textos críticos e alguns escritos pessoais no endereço http://flavyamutran.wordpress.com/

Flavya

AMOSTRAGEM DE TRABALHOS - DIEGO MAC

Posto abaixo 2 amostras de trabalhos meus. Estes vídeos estão em baixa resolução, uma vez que foram publicados para fins específicos de amostragem. Pas de Corn está completo; já “Mexendo nas Partes” está fragmentado – a obra possui duas partes, com 20min de duração cada.

Cabe lembrar que tais obras não representam com exatidão o atual momento de minha pesquisa artística nem dão conta de elucidar o projeto investigativo, pois ele está em fase de mutação. Nada é fixo, tudo é móvel. Ainda assim, poderão perceber algumas das idéias que venho propondo nas discussões em aula.






Carol Rochefort
Superfície de Inscrição (módulo), 2007-2008
Impressões em alginato, resina cristal
12X20X6 cm

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Comentário sobre o Seminário – BOURDIEU, Pierre. Introdução a uma sociologia reflexiva. In: O poder simbólico, Difel, Lisboa, 1989

Este presente comentário abrange dois encontros do 1º Seminário desenvolvido na disciplina de Metodologia da Pesquisa em Arte, turma 17 do curso de Mestrado em Artes Visuais da UFRGS, ocorridos nos dias 26 e 31 de março de 2009 e foi centrado no texto de Pierre Bourdieu, Introdução a uma sociologia reflexiva. (In: O poder simbólico. São Paulo: Difel, 1989). O texto e seus conseqüentes debates tiveram a relevância de, simultaneamente, apresentar a postura e a experiência metodológica do autor, e iniciar a preparação de uma abordagem científica na pesquisa em Artes Visuais do grupo de mestrado, em sua introdução ao curso. O seminário foi norteado por dez questões, apontamentos em relação ao texto colocado pela Profa. Dra. Maria Amélia Bulhões. Em relação ao seminário, apesar de o autor manter como código de conduta algumas normas que podem ser consideradas polêmicas sob algumas perspectivas, as mesmas foram positivamente recebidas durante o seminário em questão. A seguir algumas das questões que vieram à tona nos debates:
A questão do tempo de realização da pesquisa:
O grupo consensualmente assimilou a colocação do autor sobre a necessidade de que o processo de pesquisa e obtenção de dados seja feito através de uma metodologia eficiente, de forma a promover a maximização do rendimento com o objetivo de melhor aproveitamento dos recursos, levando em conta a natural escassez de tempo durante uma pesquisa.
Outro tópico do autor que gerou interesse nos debates foi a questão da exposição do processo de pesquisa, diante de seus pares, como fator importante. Considerando-se que, nas fases germinativas da pesquisa, a mesma contém possibilidades variadas de abordagem e interpretação, o que pode ser um esteio para equívocos, a sua apresentação neste período pode favorecer a retificação dos mesmos, na amostragem pública. Mesmo consciente de que este método traz para o pesquisador uma certa instabilidade e riscos inerentes como instrumentos de ajustes metodológicos, ele contém em si, no entanto, a possibilidade de evitar grandes distorções, o que permite reduzir a incidência de erros na pesquisa, favorecendo seus resultados.
Para o grupo, a questão da autocrítica que um pesquisador deve adotar para si mesmo, em um processo continuamente revisionista em relação ao seu material de estudo, é a postura correta para o desenvolvimento da pesquisa cientifica, uma vez que esta sugere regras de comportamento e atitudes para que o pesquisador assuma um papel de agente racional, e consiga neste processo se apoiar em uma metodologia que impeça suas crenças e perspectivas do mundo de influenciar o desenvolvimento de sua pesquisa de forma tendenciosa. O pesquisador deve ter consciência que suas decisões devem menos reforçar suas crenças pessoais do que ser a continuidade lógica de seu método de observação, exemplarmente isenta dentro de seus preceitos. Mesmo consciente de que este aspecto é, provavelmente, o mais difícil para um pesquisador.
Por ser boa parte da turma 17 de mestrado composta por neófitos na abordagem de pesquisa científica, o ponto sobre o processo de criação de um Modus Cienífico, de fundo bastante prático, foi objeto de grande debate. Considerando que este conduz o pesquisador a uma conduta adequada, baseada na percepção e na visão de seu objeto de estudo, e que esta conduta se dá através da percepção e assimilação do processo de aprendizagem de pesquisa, foi tema de diversos pontos do debate a importância de que a execução deste processo não seja rígida, e sim rigorosa; que possa, circunstancialmente, assimilar novas e inesperadas formas de abordagem, novas perspectivas e analogias com áreas correlatas, mas sempre em um processo de extrema vigilância das condições de utilização da técnica, adequação e condições de seu emprego. Para a visualização do objeto de pesquisa o grupo discutiu, durante o seminário, a importância da percepção das relação do uso das homologias que permitem ao pesquisador encarar sua problemática metodológica sob uma perspectiva diversa, o que possibilita vislumbrar novas abordagens. Mas, de todas as questões abordadas, o que Bourdieu chama de Dúvida Radical foi, certamente, uma das que suscitou mais atenção. Dúvida Radical é a maneira através da qual o pesquisador deve escapar do senso comum e do universo em que ele mesmo está inserido para gestar novas perspectivas para sua abordagem de pesquisa, colocando em dúvida constante a condução da pesquisa por um ser social com possíveis preconceitos de classe, gênero e área. Este tipo de postura do pesquisador autoquestionador é o que permite o surgimento de rupturas epistemológicas, isto é, novos paradigmas de abordagem que possibilitem se relacionar com as questões de maneira inovadora, rompendo com crenças comumente aceitas, a lógica intuitiva e o senso comum de um grupo ou, às vezes, da sociedade como um todo. Obviamente que, dentro de minha pesquisa e de meu conhecimento de metodologia cientíifica em pesquisa , Dúvida Radical é, ao mesmo tempo, tanto uma Arcádia quanto um interessante anseio de estímulo metodológico.
Roteiro para o projeto de pesquisa.
Download aqui
Texto complementar da aula sobre o campo da pesquisa de artes visuais no Brasil
Para fazer download cique aqui
Texto para o seminario do dia 23/04
Faca download aqui

Camila Schenkel – Comentário sobre o seminário Bourdieu

Relações Perigosas

Seguindo a sugestão da colega Flavya resolvi colocar um título, bastante elucidativo... Se necessário massacrem, estou aqui pra isso! ;)
Comentário do Seminário: BOURDIEU, Pierre. Introdução a uma sociologia reflexiva. In: O poder simbólico. São Paulo: Difel, 1989.

Segundo o autor, o pesquisador deve ser capaz de apreender a pesquisa como uma atividade racional. Isso implica saber construir seu objeto de pesquisa, relacionando teoria e prática, assim como analisar relacionalmente esse objeto, rompendo com o senso-comum e o pré-construído. A discussão desses e outros conceitos propostos por Bourdieu, como o habitus científico, foi um ponto de partida elucidativo a respeito de um determinado tipo de pesquisa que pensa sobre sua constituição e procedimentos, distinguindo uma pesquisa rígida, incapaz de lidar com um pensamento relacional e crítico, de uma rigorosa, que encara com seriedade seu objeto, adotando critérios claros e praticando a dúvida radical, em que o pesquisador não é mero instrumento do que quer pensar.
De forma muito sucinta e até superficial relaciono o pensamento de Bourdieu com o de outros autores com o intuito de ampliar a discussão de seus conceitos e abrir novas possibilidades de entendimento. Não estou levando em consideração, nesse caso, os históricos e linhas/filiações de pensamento de cada autor, a proposta é de uma simples abertura de “fresta” que permita espiarmos em segredo (ainda muito receosa).
Relacionei a questão da inserção do pesquisador em um meio social com a seguinte citação de Pareyson (1993, p.20)¹: “Como operação própria dos artistas a arte não pode resultar senão da ênfase intencional e programada sobre uma atividade que se acha presente em toda a experiência humana. (...)” Ou seja, na arte, se entendida como produto de determinado enfoque de uma experiência social, o artista não é um ser isolado e isento do meio em que circula, seja de seu campo específico ou não.
A proposta de Boudieu de pensar relacionalmente aparece tratada de modo diferente no pensamento de Morin (1991, p.17-18)², como complexidade, mas podem ser relacionadas. Complexidade como um tecido formado por “partes” distintas, heterogêneas, porém associados de forma inseparável. Grosso modo, como uma colcha de retalhos em que cada parte tem sua existência particular e única, mas cujo sentido de “colcha” resulta da interação de suas partes. Assim é a construção de um “pensamento complexo”, que engloba ações, decisões e o acaso, ou ainda um pensamento que leva em consideração os fenômenos.
Embora o texto e as discussões tenham se voltado mais especificamente para a postura desejável a ser desenvolvida pelo pesquisador, penso que essas “frestas” podem possibilitar visadas a serem exploradas na pesquisa. Considero de extrema importância refletir insistentemente sobre o modo, ou os modos de construir nossos objetos, levando em consideração o pré-construído e nossa inserção em determinados meios; exercer a dúvida radical como exercício de humildade também, afinal, como sabemos o que sabemos, e como sabemos que sabemos? Se entendi algo do nosso primeiro seminário, duvidando, questionando, relacionando de modo crítico o que supomos ser conhecimento.
[¹] PAREYSON, Luigi. Estética: Teoria da formatividade. Trad: Ephrain Ferreira Alves. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1993.
[²] MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo. 3. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.
Maiores informações sobre este livro podem ser acessadas nessa resenha (que expõe a precariedade de minha argumentação): http://www.ufrgs.br/tramse/argos/edu/2004/05/morin-edgar.html

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Novo comentário Bourdieu - Mariana Xavier

Comentário sobre o Seminário BOURDIEU, Pierre. Introdução a uma sociologia reflexiva. In: O poder simbólico, Difel, Lisboa, 1989








Creio que é imperativo começar meu comentário sobre o seminário de quinta-feira passada descrevendo a sensação de susto que me foi causada pela obrigação de responder perguntas em voz alta sobre um texto recém lido.
Claro que a situação de seminários não só é esperada como é essencial na Pós-Graduação, mas na primeira semana de aulas de um curso ambicionado desde muito, tudo toma um caráter de novidade, de expectativa e, porque não, de excitação. Me parece que essa sensação foi partilhada pelos meus colegas, talvez não no mesmo grau, já que eu me graduei já fazem sete anos, e em outra área do conhecimento. Por ter de elaborar esse texto, me obrigo a refletir não só sobre o texto lido, mas também sobre a própria experiência do seminário, pela qual ainda vamos passar várias outras vezes ao longo de nosso curso.


Acho que a experiência foi bastante válida, considerando que é o primeiro trecho da obra de Bourdieu a que tive acesso. Isso por si só torna a emissão de opiniões bastante difícil, já que não deixa de ser um pouco leviano fazer afirmações como para Bourdieu, ou segundo o autor, considerando que só lemos um capítulo de um livro que sequer está em sua língua original. Claro que é possível que eu esteja sendo rigorosa demais não só comigo mesma, mas também com o processo de construção do conhecimento, que só pode se dar ao tomarmos contato com obras ainda desconhecidas e obrigando-nos a refletir sobre elas.


A dinâmica do seminário proposto foi efetiva, todos haviam feito a leitura e respondido às perguntas propostas. Discutindo as respostas previamente formuladas com as reflexões que foram surgindo à medida que cada um tinha a palavra, fomos capazes de adquirir um melhor entendimento das idéias de Bourdieu expostas no texto em questão.


Eu, por exemplo, havia compreendido nas leituras feitas em casa que o conceito de habitus acadêmico tinha um caráter pejorativo e que era criticado pelo autor. Com as respostas dadas pelos colegas em aula, percebi que havia me equivocado e que Bourdieu estava descrevendo o modus operandi científico sem o qual não pode haver o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas - embora de fato o faça com uma certa ironia que permeia todo o texto.
Como tive que responder uma das perguntas somente na terça-feira passada, tive a oportunidade de fazer mais uma leitura do texto e discutir alguns termos propostos com outras pessoas, o que foi bastante producente para a minha compreensão das idéias do autor.


Além disso, com a discussão em sala de aula pudemos fazer uma breve comparação entre os preceitos dirigidos à área da Sociologia por Bourdieu em seu texto com suas aplicações dentro do campo das Artes Visuais. Também dentro de nosso campo de interesse, creio que seja importante lembrar da colocação do autor de que é preciso construir modelos de pesquisa mais completos, que englobem tanto a ingenuidade inicial quanto a verdade objetiva dos objetos de pesquisa.

Comentário (novo) seminário Bourdieu

Comentário sobre Seminário (Bourdieu)
O presente texto tece comentários relativos ao 1º Seminário desenvolvido na disciplina de Metodologia da Pesquisa em Arte, turma 17 do curso de Mestrado em Artes Visuais da UFRGS.
O Seminário foi orientado por um grupo de perguntas, as quais foram respondidas e posteriormente debatidas durante a aula, relativas ao texto de título Introdução a uma sociologia reflexiva[1] de Pierre Bourdieu.
O referido texto aborda, de forma geral, a postura do pesquisador, que segundo o autor deve ser racional, realista, orientada para uma eficiência dos processos e procedimentos, dos investimentos e recursos que se dispõe. Não se deve perder a razão, ter os “pés no chão”, e clareza do objeto em questão.
É preciso ter consciência da construção do objeto, por isso é tão importante conhecer o processo de construção de uma pesquisa, desde seu estado embrionário que é um tanto confuso e inseguro. Assim que, aprender a intimidade que acontece “no laboratório/oficina”, a partir da experiência do outro, pode-se desmistificar a idéia romântica da pesquisa, aquela de revelação dos resultados. Para a pesquisa em artes visuais, em especial, acredito ser de extrema importância conhecer os métodos e os procedimentos operacionais que o artista/pesquisador emprega em seu atelier, em sua prática de construção do objeto de pesquisa.
Para a construção do objeto de pesquisa, ou melhor, para a prática científica o autor recomenda que se pratique a dúvida radical que consiste em colocar em questão, em suspenso as certezas e os preconceitos. É romper com o senso comum, tanto o “popular” quanto o “científico”, é colocar-se em dúvida. Praticar uma postura que questione os instrumentos, os procedimentos que o artista/pesquisador irá utilizar pra construir o que quer, podendo questionar, por exemplo, no campo da arte, as doxas da estética, os discursos da arte.
Para Bourdieu a prática científica deve promover a conversão do olhar, a revolução do pensamento, ela deve promover a ruptura epistemológica. Romper com conceitos, métodos, modos de pensamento que tenham aparência de pré-construções. Como na arte foi visto com a mudança de paradigmas da arte academicista e da arte moderna. A ruptura só faz sentido a partir de um reconhecimento do campo em questão e de suas relações com as disciplinas vizinhas, pois ela rompe com questões epistemológicas. A ruptura seria como um salto no escuro amarrado por uma rede de relações.
Já que esta ruptura esta ligada a uma rede de relações pode-se dizer que ela provoca mudanças sociais que serão incorporadas lentamente através de uma modificação do pensamento comum e por conseqüência das estruturas de poder que legitimam o conhecimento. Ciente dos seus limites e processos que se formam as relações, o pesquisador percebe que não há neutralidade nos campos de conhecimento.
Aproveitando as palavras do autor, penso que este seminário, e o texto em especial, foram determinantes para podermos colocar em dúvida nossos projetos e objetos de estudo. A partir deste texto comecei a pensar de forma diferente, como nunca havia pensado antes, minha postura diante a área de pesquisa em artes, e minha postura de artista/pesquisadora. Começo a prática da dúvida radical.
[1] Este texto é o segundo capítulo do livro: BOURDIEU, Pierre. Introdução a uma sociologia reflexiva. in: O poder simbólico, Difel, Lisboa, 1989.

FICHA DE LEITURA SEMINÁRIO 26/03 PIERRE BOURDIEU

http://rapidshare.com/files/215497970/Ficha_de_Leitura_BOURDIEU_Introdu__o_a_uma_sociologia_reflexiva.pdf

COMENTÁRIO SEMINÁRIO 26/03 - PIERRE BOURDIEU

Sob a minha perspectiva, a qualidade mais relevante do seminário (referente ao texto “Introdução a uma sociologia reflexiva”, de Pierre Bourdieu) foi perceber sua abordagem como “ensaio de uma pesquisa”, na medida em que a maioria dos aspectos tratados pelo autor foram experimentados na prática durante a aula, como:



- maneiras de se ocupar com uma postura racional para otimizar a própria aula;


- exposição das idéias e diálogo sobre elas, construindo novas dúvidas durante o debate, posto que, conforme Bourdieu, “quanto mais a gente se expõe, mais possibilidades existem de tirar proveito da discussão [...]” (BOURDIEU, 1989, p. 18);


- questionamento dos objetos de pesquisa particulares e do projeto como um todo, deslocando-se da zona de conforto das certezas de um projeto aprovado;


- rigor para com o estudo/pesquisa (apesar das cadeiras serem muito rígidas e meu corpo muito mole);


- apreensão inconsciente durante a aula do “habitus científico”.



Ou seja, os aprendizados obtidos com o texto não devem ser percebidos e praticados somente na pesquisa, tratando-a como ação isolada e hermética: devem ser aplicados nas várias situações apresentadas durante o curso, como as aulas, por exemplo, uma vez que fazem parte do campo no qual estamos inseridos.

Grupo Mestrado 17 discute Bourdieu

Em dois encontros no Instituto de Artes da UFRGS em Porto Alegre, o texto ‘Introdução a uma sociologia reflexiva’ [1] de Pierre Bourdieu foi analisado pelo grupo da disciplina ‘Metodologia da Pesquisa em Artes’ da Profª Maria Amélia Bulhões.

Em resumo, trata-se de uma obra em que o autor propõe que pensemos a pesquisa como uma atividade racional, resultante de uma postura reflexiva, orientada para a maximização dos recursos e do tempo disponíveis para o trabalho do pesquisador. Nesse texto, o autor baseia-se em análises de teóricos de diferentes áreas do conhecimento, além de exemplos e de relatos de suas próprias vivências como pesquisador. Conceitos importantes sobre a postura, o campo de idéias, os modos operacionais e as relações entre o pesquisador e o objeto de pesquisa foram os pontos mais discutidos durante o seminário.

A partir de questões provocadas pela Profª Mª Amélia Bulhões, foi possível se estabelecerem as principais diferenças entre o Rigor e a Rigidez nas posturas e metodologias adotadas pelo pesquisador, a importância da prática da dúvida radical e os riscos de se limitar a leituras pré-construídas de um objeto de pesquisa. Quanto à dúvida radical, Fernanda Manéia levantou a questão sobre ‘a importância de se colocar em dúvida as nossas verdades, ou o que acreditávamos serem verdades, o mais rápido possível, para que, no caso de sucumbirem, isto aconteça enquanto ainda há tempo de reconstruí-las.’[2]

Até que ponto essas verdades aparentes não vão sendo construídas ao longo do processo de escolhas de métodos e instrumentos para construção de nossos objetos de pesquisa? Ma Amélia Bulhões enfatizou a importância do pesquisador ter, antes de tudo, critérios bem definidos para o enfrentamento das decisões das diferentes etapas do processo de construção do objeto de pesquisa, para não se fazer escolhas aleatórias, justificadas apenas por soluções técnicas, sejam de ordem teórica ou prática.

Ficou claro que é preciso se ter uma atitude ceticista em relação aos pressupostos pré-concebidos de forma sistemática e responsável, baseada não apenas no raciocínio analítico, como também na intuição racional. Nenhuma decisão deve ser tomada sem um critério bem definido pelo pesquisador. Quando se constrói um objeto, é necessário se reconstruir também as relações de forças sociais que o envolvem, através da união de escolhas teóricas e procedimentos empíricos, que mesmo variando de acordo com a natureza da pesquisa, apontam para soluções de rompimento com os procedimentos metodológicos monoteístas, transformando o que antes eram modelos pré-construídos em objetos científicos reconstruídos sob um ângulo imprevisto. As regras podem até variar de acordo com a pesquisa - assemelhando-se, segundo exemplo dado pelo autor, ao trabalho de um treinador esportivo (não importando qual o esporte) – ‘ (...) que se realiza aos poucos, por sucessivos retoques, correções, emendas orientadas por um conjunto de princípios de ações minúsculas e ao mesmo tempo decisivas. ’ (p.27).

Este me pareceu um dos pontos mais importantes da discussão, visto que na pesquisa em artes o risco do artista-pesquisador se limitar apenas aos relatos de ordem técnica ou processual a partir de uma relação afetiva com seu objeto de estudo, pode empobrecer as contribuições da pesquisa individual para o campo coletivo do conhecimento em artes. A prática da dúvida radical é necessária para pôr em suspenso todos os pressupostos inerentes ao fato do pesquisador ser, ele mesmo, um ser social, portanto, sujeito à estrutura classificatória criada pela ciência produzida no mundo social em que o mesmo está inserido. A importância da prática do que o autor chama de dúvida radical está no fato de se ter uma atitude crítica em que se põe constantemente à prova as operações e os próprios instrumentos de pensamento do sociólogo e da sociologia, do artista e da arte, e assim por diante.


Neste momento em que o grupo de Mestrado 17 se acha envolvido com as questões práticas da elaboração da pesquisa, aquilo a que Bourdieu chama de ruptura epistemológica quer dizer uma ruptura com modos de pensamento, conceitos e métodos que tem a seu favor todas as aparências do senso comum, seja ele vulgar ou científico. Quebrar com este senso comum implica na quebra também de preconceitos e na conversão do pensamento numa efetiva revolução do olhar. A visão crítica é a condição da construção de um verdadeiro objeto científico, o que na visão de Bourdieu se traduz como uma objetivação participante. Tendo clareza de seus interesses e consciência de suas motivações é possível se estabelecer as bases para uma ruptura com os modelos pré-existentes para não se incorrer em nenhuma postura reducionista travestida de ciência.

Concluindo a análise das déias do autor, e talvez contrariando o que alguns de nós achávamos como prática incontornável do ‘habittus cientificus’, Bourdieu aponta para a importância de se pesquisar a teoria corrente de sua época para depois sim partir para os clássicos que fundamentam e referenciam o pensamento atual. As tais mudanças de paradigmas no campo das artes já estão em curso na atualidade e pesquisar, segundo Mª Amélia Bulhões, pressupõe ir além, dito isso, finaliza definindo a pesquisa como um ato de coragem.



Flavya Mutran
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[1] Resumo do Seminário sobre o texto BOURDIEU, Pierre. Introdução a uma sociologia reflexiva in O poder simbólico. São Paulo: Difel, 1989. (Instituto de Artes/UFRGS, Porto Alegre 26.03.09 e 31.03.09)

[2] Comentário de Fernanda Manéia em resposta a questão ‘Que postura deve ser desenvolvida pelo pesquisador na opinião do autor?’, publicada neste blog em postagem anterior.